A lealdade de Chico Mendes ao agora ex-governador João Azevêdo (PSB) não é episódica, tampouco protocolar. Foi construída ao longo de uma relação de confiança que o levou à liderança do governo na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), posição que exige não apenas habilidade política, mas, sobretudo, compromisso com um projeto coletivo. Ao manter-se firme no partido, mesmo diante da saída de aliados e rearranjos internos, o parlamentar sinaliza que sua atuação vai além do cálculo eleitoral imediato — ela se ancora em princípios, algo que deveria ser regra, mas que hoje se tornou exceção.
Curiosamente, essa fidelidade não o isola, nem o limita. Pelo contrário: Chico Mendes mantém a mesma lealdade com o atual governador Lucas Ribeiro, do Progressistas, pré-candidato à sucessão estadual dentro do grupo situacionista. Essa capacidade de dialogar, de permanecer leal sem se fechar ao novo, revela uma maturidade política que falta a muitos. Em vez de aderir ao movimento mais fácil — o da mudança oportunista —, Chico reafirma que é possível fazer política com consistência, credibilidade e, acima de tudo, sinceridade. Em um cenário marcado por desconfianças, sua postura não apenas se destaca, mas impõe, silenciosamente, um constrangimento àqueles que transformaram a lealdade em moeda de troca.
Essa relação de confiança mútua também se mostra na prática. Chico conta hoje com o apoio de pelo menos 16 prefeitos, todos caminhando com ele na mesma direção rumo à sucessão estadual.
Radar Sertanejo
